Descrição
Neste trecho da aula de número 562 do seu Curso Online de Filosofia, Olavo de Carvalho (1947-2022) faz uma crítica sobre um vício que impregna o pensamento filosófico desde Immanuel Kant, o de sempre aparecer um “revelador de segredos” com a sua própria chave secreta do universo, aquela que explica tudo e resolve todas as questões, algo que pode ser visto em nomes como Hegel, Marx, Nietzsche, Freud e Foucault.
Segundo o exposto no clipe, essa tendência se tornou recorrente na filosofia ocidental, como se cada um destes e outros pensadores fossem os únicos a enxergar o segredo oculto da existência. Mas será que essa busca pelo único princípio explicativo do mundo é legítima, ou passa de um delírio intelectual?
Kant e a nova forma de filosofar
Olavo destaca que Immanuel Kant não apenas propôs uma nova filosofia, mas também mudou a própria forma de filosofar. Antes dele, os pensadores tentavam compreender a realidade, mas Kant inverteu a questão e afirmou que:
“Todos estavam enganados ao pensar que conheciam o mundo real.”
Segundo este raciocínio, não percebemos o mundo como ele é, mas apenas as projeções de nossa própria mente, organizadas por esquemas universais de percepção e razão. Trata-se de algo bastante complicado de entender.
Essa mudança radical gerou um efeito dominó: se ninguém até Kant havia compreendido a realidade corretamente, então cada novo filósofo passou a acreditar que poderia ser o próximo grande revelador do verdadeiro segredo da existência.
A era dos “reveladores de segredos”
Após Kant, surgiram pensadores que seguiram a mesma lógica:
- Hegel – afirmou que o Espírito Absoluto se manifesta na história, e que sua própria filosofia era o ápice desse processo.
- Marx – declarou que a luta de classes era a chave oculta que determinava todas as ações humanas, das artes à política.
- Freud – substituiu a luta de classes pelo inconsciente, afirmando que desejos reprimidos e conflitos internos explicavam todo comportamento humano.
- Nietzsche – argumentou que a vontade de poder era o verdadeiro motor da história, reduzindo todas as motivações humanas a uma luta pelo domínio.
- Foucault – expandiu essa ideia e afirmou que todas as relações humanas são relações de poder, desde o governo até uma simples conversa cotidiana.
Todos esses pensadores seguiram o modelo kantiano, se posicionando como os únicos capazes de enxergar a verdade oculta da história, e cada um tentou derrubar os sistemas anteriores, apenas para impor uma nova “chave mestra”.
O problema dessas “chaves universais”
Olavo de Carvalho desmonta essa mentalidade mostrando que, se cada um apresenta uma “chave definitiva”, mas todas são diferentes, então, por definição, nenhuma delas pode ser realmente definitiva. Isto é logicamente óbvio.
Se a luta de classes, o inconsciente, a vontade de poder e o discurso são todas chaves absolutas, então nenhuma delas pode ser exclusiva. O simples fato de existirem várias “chaves únicas” prova que todas elas são falsas, pelo menos no sentido em que foram apresentadas.
Isso significa que muitas dessas ideias possuem valor, mas não podem ser tratadas como explicações totais da realidade. A tentativa de reduzir o universo a uma única explicação leva a distorções grotescas, onde tudo passa a ser forçado dentro dessa visão, ignorando a complexidade da existência humana.
O fim da filosofia séria
Olavo conclui que a partir de Kant, a filosofia perdeu a seriedade, pois passou a ser dominada por ambições exageradas. Em vez de buscar compreender a realidade, os pensadores modernos passaram a disputar quem conseguiria apresentar a “grande chave secreta do universo”.
Isso gerou um ciclo interminável de “reveladores da verdade absoluta”, cada um refutando o anterior e caindo na mesma armadilha.
O verdadeiro conhecimento, segundo Olavo, não está na busca por um único princípio explicativo, mas no reconhecimento de que a realidade é muito mais complexa do que qualquer teoria pode abarcar.
Este trecho foi apressado pelo canal Daniel Mota a partir da aula ministrada pelo filósofo brasileiro datada de 10 de abril de 2021. O clipe, que é a primeira parte do vídeo “Divinização do ser humano” foi publicado originalmente em 11 de junho de 2021.
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- Duração: 09:47
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- Categorias: Curtos
- Canais: Olavo de Carvalho, Daniel Mota
- Marcador(es): Filosofia, Immanuel Kant, Olavo de Carvalho
- Publicado por: Equipe Direita Realista
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