Descrição
Esta é a palestra completa ministrada pelo saudoso professor e economista José Monir Nasser (1957 – 2013) fala sobre os aspectos culturais de Tartufo, de Molière (Jean-Baptiste Poquelin), uma comédia teatral cujos personagens, Elmire e Orgon, são considerados um dos maiores papéis do teatro clássico.
A primeira versão de Tartufo, conhecida também como O Impostor ou O Hipócrita, foi executada por Molière em 1664. Quase imediatamente após sua apresentação naquele mesmo ano nas grandes festas de Versalhes (A Festa das Delícias da Ilha Encantada/Les fêtes des plaisirs de l’ile enchantée), o rei Luís XIV a suprimiu, provavelmente sob a influência do arcebispo de Paris, Paul Philippe Hardouin de Beaumont de Péréfixe, confessor do rei e ex-tutor.
Moliérè utiliza em seu texto elementos de sofisticada linguagem cômica, abordando com mordacidade as relações humanas que envolvem a religião, o poder e a ascensão social. Utilizando-se como mote a aristocracia francesa, em luta por manter seus privilégios, a burguesia ascendente, ávida por ampliar seu status quo e ainda o papel intrigante dos religiosos, é, no entanto, através da popular e sábia “Dorina”, a empregada, que Molière desconstrói a hipocrisia de estrutura social da ‘época, desmascarando o farsante “Tartufo”. Este personagem é símbolo dessa bem comportada estrutura, usando-a a seu bel-prazer, a seu único e exclusivo proveito, sendo capaz de mentir, roubar, fraudar, especular, transgredir normalmente com o único objetivo de granjear mais privilégios, e tudo em nome de Deus.
Embora o rei tivesse pouco interesse pessoal em suprimir a peça, o fez porque, conforme consta do relato oficial da festa: embora se achasse extremamente divertido, o rei reconheceu tanta conformidade entre aqueles que uma verdadeira devoção conduz ao caminho do céu e aqueles que a vã ostentação de algumas boas obras não impede de cometer algumas más, que a sua extrema delicadeza para assuntos religiosos não podem sofrer esta semelhança do vício com a virtude, que poderiam ser confundidos entre si; embora não se duvide das boas intenções do autor, ainda assim ele o proíbe em público, e se privou deste prazer, para não permitir que fosse abusado por outros, menos capazes de fazer dele um justo discernimento.
A peça, apesar de retratar uma situação que antecedeu a ascensão da burguesia, mantém-se atual ao denunciar males eternos e “universais”, como a corrupção, a hipocrisia religiosa, a ocupação de cargos de mando e relevo por espertalhões. Como resultado, idiomas contemporâneos — como inglês, francês e português — usam a palavra “tartufo” para designar um hipócrita que finge ostensivamente e exageradamente a virtude, especialmente a religiosa. A peça de Molière é escrita inteiramente em versos de doze sílabas (alexandrinos) de dísticos rimados – 1.962 versos no total.
Este vídeo tem quase 3 horas e meia de duração, é providenciado pelo canal Mental Food e foi publicado originalmente em 6 de junho de 2017.
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Mais informações
- Duração: 3:18:47
- Visualizações: 59
- Categorias: Palestras
- Canal: Mental Food
- Marcador(es): Cultura, José Monir Nasser, Literatura
- Publicado por: Equipe Direita Realista
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